quarta-feira, 24 de março de 2010

Redação de Volta às Aulas

Enfim, acabou o Carnaval e estou voltando às aulas. É impressionante a agitação dos alunos aqui, na classe.
Acho que eles ainda não perceberam que agora é pra valer, e que férias novamente só em junho.
Mas não importa isso para mim. É tão bom chegar no colégio e rever os amigos. O melhor é quando chego feliz, e eles percebem logo, dizendo que estou sorridente. Isso me deixa mais contente ainda e com a autoestima lá em cima.
E o pessoal novo então? Melhor ainda. Tanta gente legal! Adoro conhecer pessoas novas. Gosto de tudo que é novo e que se renova. Gosto de mudanças constantes e rotina inconstante.
Ah, sinceramente, eu amo a escola e vou sentir muita falta disso tudo quando finalmente, tiver que subir um degrau na minha vida.

sábado, 6 de março de 2010

A vida é falsa

Há uma infinidade de coisas banidas da vida social.Comer frango com a mão, por exemplo. É delicioso agarrar uma coxa com as mãos! As regras de etiqueta até permitem, mas ninguém tem coragem. As pessoas ficam cortando pedacinhos com a faca, enquanto o osso rola no prato. E chupar o tutano? Quem nunca provou não sabe o que está perdendo. É uma delícia. Já me avisaram:
- Você vai ficar com a boca lambuzada.
- Lambuzou, lavou! - respondo.
Na trilha do frango, vai a manga. Cravar os dentes no caroço de uma manga bem madura é inesquecível.
Todo mundo serve a fruta cortadinha. Existem frutas que nem são servidas diante de convidados. Jaca, por exemplo. Impossível comer jaca de garfo e faca. Resultado: ninguém mais oferece. Tem gente que acha feio até comer sanduíche com a mão. Já recebi muitos olhares de acusação, ao agarrar um cheeseburger e meter os dentes, enquanto a pessoas na minha frente corta os pedacinhos. São tantas as falsidades que nem sei como me comportar. Outro dia cheguei a uma festa de aniversário e perguntei, alegre:
- Quantos anos?
A aniversariante virou a cara. Na hora do bolo, só uma vela solitária. Acabei comentando:
- Se ela botasse todas as velinhas, provocaria um incêndio!
Quase fui expulso.
Alguém me responda: como dar festa de aniversário sem que perguntem a idade?
Já me conformei. Se é para deixar de ser espontâneo, prefiro ser chamado de mal-educado. Pelo menos, a vida torna-se mais confortável.

(Walcyr Carrasco, Veja São Paulo, 6 Agosto de 2003, p. 138)